terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nono dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Como deve ser grande a nossa gratidão para com Nossa Senhora do Pérpetuo Socorro

Deus é Pai de todos os cristãos: mas como, nas famílias numerosas, certos filhos são mais ternamente amados do que outros, e recebem de seus pais testemunhos particulares de sua benevolência; assim Deus, sem mérito de nossa parte, e apesar de nossa indignidade, digna-se dar a algumas almas provas incontestáveis de um privilegiado amor. É impossível conhecer a variedade das manifestações da bondade divina, das invenções, da misericórdia para conosco. Deus deixa-nos perceber apenas um certo número; e, no entanto, quando refletimos sobre tantos benefícios gerais e particulares, sobre tantos fatos positivos e sensíveis de sua inexprimível bondade, a sua multidão acabrunha o nosso espírito!
Que seria, pois, se Deus, de repente, desvendasse ante os nossos olhares maravilhados o número real dos benefícios recebidos no correr de nossa vida!
Entre todos os sinais do amor divino que brilha em nossa vida, devemos contar, como mais precioso, o favor que Deus nos concede de mostrar-nos, mais de que a outros, tudo quanto Maria fez por nós no passado, quanto lhe devemos neste momento, e o que podemos esperar, no futuro, de seu perpétuo socorro.
Que imensa bondade a de Jesus Cristo não me ter deixado, como a tantos outros, ignorando o quanto Maria se interessa por minha santificação! Como ela me auxilia em levantar-me de minhas faltas, como prevê os perigos que ameaçam minha alma e meu corpo, e no mesmo instante cobre-me com a sua proteção!
Nunca poderei testemunhar a Nosso Senhor bastante reconhecimento, nem expressar-lhe minha ventura ao ver minha salvação depender da bondade e dos cuidados de sua divina Mãe.
É infinitamente mais doce a uma alma bem formada tudo dever a Jesus e a Maria, do que pensar ter alguma coisa de si mesma.
Mas se o reconhecimento de um dos mais ternos benefícios de Jesus Cristo arrebata minha alma de admiração, não devo esquecer quão grande deve ser minha gratidão. O reconhecimento foi, em todos os tempos, a virtude favorita dos santos.
Santa Teresa recomendava a suas filhas agradecessem a Deus os seus menores dons, como o meio mais seguro de obterem novos. O esquecimento fecha sobre nós a expansão da divina liberalidade. Agradecerei muitas vezes e até continuamente a Maria, por ter cercado toda minha vida com o seu perpétuo socorr; e, sentindo quanto o meu reconhecimento está muita aquém de suas contínuas bondades, rogar-lhe-ei que receba tudo quanto eu quereria exprimir-lhe de meu reconhecimento, de meu amor, de minha esperança e de minha fraqueza, e que minhas misérias não permitem.

Oração
Puríssima Virgem Maria, eu vos devo uma graça especial: conhecer o título que vos dá tantos direitos à nossa gratidão; suplico-vos que me façais sentir eficazmente vosso perpétuo socorro. Dignai-vos conceder-me as graças que me destinais e impedir-me de abusar delas.
Ó minha  Mãe, que suprema felicidade crer em vosso amor, contar com o vosso perpétuo socorro, saber que ele não faltará nunca, e que não vos oro sem receber um benefício! Não quero ser vencido nem em generosidade, nem em amor. Obtende-me a graça de conhecer sempre cada vez mais as vossas liberalidades e o mais que posso esperar, para que este conhecimento excite minha coragaem em vos pagar dobrado. Confio de novo ao vosso coração maternal a intenção em que fiz esta novena... Que dela resulte glória a Jesus e a vós, e que minhas orações contribuam para obter maiores graças para minha salvação.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)

Exemplo
Escreve um padre vigário do Estado do Rio de Janeiro:
" Fui atacado de uma forte cistite, consequência de uma prostatite. Complicações com outras moléstias horrivelmente. Passava, em geral, as noites em uma cadeira de balanço, com dores insuportáveis, por ocasião de urinar. Não dormia e pela manhã tinha de levantar-me para ocupar-me de minhas obrigações.
Consultei vários médicos. O diagnóstico unânime:´impossível a cura, a menos de uma intervenção cirúrgica, não recomendada no caso, por tratar-see de um diabético'.
Um dos médicos, amigo, aconselhou-me a recorrer a um especialista chegado da Europa, com prática de mais de 13 anos em Paris e outros centors, onde prima a ciência. Fui consultá-lo. Fui sujeito a um interrogatório e exame de mais de duas horas.
-Infelizmente, diz-me o especialista, a sua moléstia não tem cura. Os médicos que o examinaram têm razão. O senhor vai sofrer estas terríveis dores, enquanto viver.
- O doutor receita alguma coisa para aliviar-me?
- Não tenho nada para receitar. Vá tomando urotropina.
Nunca deixei de por toda a minha confiança em Maria. Sei que ela pode tudo e nada recusa aos que lhe rogam com fé e confiança. Alguns dias antes de ir ao especialista, havia começado uma novena a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pedindo com confiança a minha cura e prometendo-lhe publicar a sua novena, se me curasse.
No terceiro dia da novena, ao passar pelo corredor, vi um pedaço de um jornal velho. Apanhei-o e li, com surpresa: remédio para cistite- tal...
Copiei o nome, por desfatio, e atirei o retalho fora.
No quinto dia da novena fui ao especialista. O desengano foi completo. Saindo do consultório e, ao passar por uma farmácia, veio-me à memória o nome do tal remédio. Comprei um vidro e nesse mesmo dia tomei uma colher. No dia seguinte, tomei duas colheres do remédio: não senti mais dores, todo o sofrimento desapareceu completamente há mais de um ano, sem se repetir.
Eis o fato em toda a sua verdade. Cumpro hoje a minha promessa. A minha vida está consagrada ao Senhor e não desejo trabalhar senão para a glória dessa incomparável Mãe das misericórdias, que me tem cumulado de suas bençãos e favores".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Oitavo Dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.
R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro jamais se cansa de receber o testemunho de nossa filial confiança
 
Jesus derramou no Coração de Maria esta bondade expansiva, da qual tantas provas deu. Demais, deu-lhe em nosso favor, segundo S. Tomás, os dons da mais alta maternidade, porque é ao mesmo tempo Mãe de nossos corpos e de nossas almas. e como tem o poder de nos socorrer, na proporção de seus desejos, quer que a coloquemos em condições de exercer este poder, glória sua: de tirar para nós tudo dos inesgotáveis tesouros da Providência Divina.
Compreende-se bem quanto uma mãe terna, poderosa e rica, gosta de ouvir de seus filhos a exposição confidencial do que esperam de seu coração. Se um de seus filhoss, tornado culpado, dela se afasta, ao primeiro sinal de arrependimento não lhe abre ela, porventura os braços?... Se um outro está doente, consente que um mercenário vá velar à sua cabeceira? Inferi, dos sentimentos inerentes à maternidade, se Maria pode deixar de desejar ardentemente que lhe peçamos o seu socorro, que a chamemos dia e noite em nosso auxílio, quaisquer que sejam os nossos sofrimentos ou as nossas necessidades? Como sua ternura não a arrastará imediatamente a proteger-nos, quando por experiência ela sabe o que é sofrer! "Sua vida, diz São Bernardo, foi um tecido de dolorosas agonias e de temores piores do que a morte".
Ela não pode ver nossos males corporais ou espirituais, sem lembrar-se de suas próprias dores. Veria ela friamente uma mãe chorar sobre o sepulcro de seu filho?
Quando vê nossos corações angustiados com a previsão de sacrifícios, de dores, pode, por acaso, esquecer que durante trinta e três anos sentiu a ponta da espada que traspassou seu coração na morte de Jesus Cristo? Podemos, pois, e Maria tem o direito de o esperar de nossa confiança, dizer de sua bondade o que Deus nos disse de seu próprio coração:" uma mãe pode esquecer seu filho? Quando mesmo ela o fizesse, eu nunca o esquecerei.  Eu te trago escrito em minhas mãos". Sim, Maria nos traz escritos em seu coração com suas lágrimas e com o sangue de seu Filho! Apressai-vos, pois, quando tiverdes alguma pena, em prostrar-vos diante de sua imagem, e orai como se a tivésseis em vossa presença. Ela o está na realidade; seu olhar fixa-se imediatamente sobre o que a implora. Confiai-me com ardor todas as vossas necessidades, os vossos desejos. Pedii-lhe com confiança as graças que temeis possam não vos ser concedidas. Ficai certo que a multidão de vossos pedidos não a importunam... Ela se queixará se descobrir em vós uma necessidade que lhe tenhais calado, uma pena da qual não lhe tenhais feito a confidência, uma falta que tiverdes hesitado em confessar-lhe. Maria, como Nosso Senhor, pode ouvir todas as nossas súplicas, porque nos concede todas as graças, não só necessárias, mas, também, úteis ao nosso bem.
 
Oração
Dulcíssima Virgem Maria, aprendi nesta novena quão digna sois de ser amada e que imensa confiança merece o vosso perpétuo socorro. Meu coração enche-se de alegria por quererdes absolutamente que eu me apóie em vossa maternal assistência. Nada desejo tanto como isto. Ó minha Mãe, estou certo, creio firmemente que me alcançareis maior número de  de graças, do que as que vos pedi. Eu me entrego à Vossa bondade, para obter tudo quanto me falta, e todos os dias agradecerei ao vosso perpétuo socorro, que eu reclamo para mim e para meus parentes. Ó Maria, na entrada da eterna bem- aventurança, recebei nossas almas em vosso seio maternal.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)
 
Exemplo
Ia um sacerdote saindo de uma prisão em Paris, quando um guarda lhe disse:  "Está aí um preso condenado e que já repeliu alguns dos vossos companheiros; quereis vê-lo?"
- Sem dúvida- respondeu o padre.
O preso havia sido recolhido à solitária, para contê-lo do furor em que ficara, quando soube ter sido condenado à morte.
Ao avistar o padre, gritou:
- Que vindes aqui fazer? Não quero confessar-me, não preciso de padre!
- Mas, não vim confessar-vos, replicou o ministro do Senhor; vim fazer-vos uma visita. Estais só, o isolamento vos aborrecerá, uma palestra não faz mal!
- Vá lá! Parece-me que sois um homem às direitas, não vos envergonhais dos desgraçados. Assentai-vos nessa pedra.
O padre não se fez rogado. Em breve o condenado contava-lhe a sua história. Terminada ela, o sacerdote com muita cautela, quis ver se obtinha uma confissão. A repulsa foi brusca e violenta.
Mas, com bondade obteve do condenado a promessa de rezar todos os dias a oração:
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção implorado vosso socorro  e invocado vosso auxílio, fosse por vós desamparado.
Animado, pois, com igual confiança, a vós, ó Virgem entre todas singular, como minha Mãe recorro; de vós me valho e gemendo sob o peso dos meus pecados, me prosto a vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humano, mas dignai-vos de as ouvir propícia e
de me alcançar o que vos rogo. Amém.
Voltou várias vezes à prisão, sem alcançar coisa alguma; o prisioneiro parecia ter a alma empedernida, nada o comovia, nenhuma súplica o abalava. Filho de uma família importante, sua educação, principalmente a religiosa, fora descurada. Arrastado pelo torvelinho das paixões, chegou até ao crime; foi condenado à morte. Sem ter recebido o mínimo princípio religioso, seu coração parecia completamente fechado a todo sentimento bom e generoso.
Para Maria não há impossível: basta  uma súplica, para mover o seu coração maternal, por maior, por mais indigno que seja o pecador. E o desgraçado achava prazer em ler a oração "Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem "... que o padre lhe deixara escrita, mesmo sabendo-a de cor.
Na ante-véspera da execução, o ministro do Senhor, depois de rogar muito a Maria pelo seu protegido, iniciou francamente um interrogatório em forma de confissão.
O prisioneiro compreendeu bem, e não o repeliu, como das outras vezes. Terminada a confissão, diz-lhe o padre:
_ Sua confissão está feita; agora arrependa-se profundamente de seus pecados, peça perdão a Deus; vou dar-lhe a absolvição.
O infeliz ajoelhou-se na cama e, lavado em lágrimas, exclamava:
- Ó meu Deus... como sois bom... Não vos ofenderei mais... Perdão, perdão para este infeliz! Meu padre, tirastes-me um peso de seiscentas arrobas de sobre o peito.  Ajoelhai-vos e vamos rezar juntos, pois só assim minhas orações serão ouvidas.
O padre ajoelhou-se junto ao condenado e ambos, por algum tempo, uniram suas preces, derramando ambos abundantíssimas lágrimas.
Dois dias depois, o infeliz subia ao cadafalso, mostrando grande coragem e piedade. Sua alma, purificada pela santa Eucaristia, voava à mansão celeste. Maria, a Mãe das misericórdias, havia obtido as graças necessárias para arrancar essa alma ao inferno.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sétimo Dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Como obter o perpétuo socorro de Maria
 
A devoção a Maria é o meio mais seguro de alcançar grandes graças e os cristãos não cessam nunca de testemunhar-lhe seu amo por brilhantes manifestações de confiança em sua bondade. É a confiança o caráter especial da devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; porque o meio decisivo de obter uma graça é esperá-la sempre. Logo, é preciso sem cessar afirmar a nossa piedade filial por Maria.
Esta necessidade de a honrar é tão profunda nos corações católicos, que o venerável P. de Montfort não hesitou em proferir esatas memoráveis palavras: " Virá um tempo em que a devoção a Maria será tão grande que a face da terra será transformada!"
Tem razão este grande servo da Santíssima Virgem. Recorramos sem cessar e por todas as necessidades a Maria imaculada, supliquemos com fervor a sua intercessão. A confiança é o ponto mais sensível e o mais delicado do coração maternal.
Tem tanto mais zelo em inspirá-la, quanto revela maior amor, maior generosidade.
Maria, devemos afirmar, faz de nossa confiança a medida de seu amor, de sua ternura, de seus dons. Quanto maior for a nossa confiança, maiores serão os seus favores, as suas graças. Nunca há excesso de confiança para com Maria, como não pode exceder os limites de seus louvores.
Portanto, para assegurar-nos o seu perpétuo socorro, só há uma expresssa condição: a confiança. Se quisermos sempre lhe expor com confiança os nossos pedidos, sempre ela nos ouvirá. Esta condição, tão fácil de satisfazer, é que faz sobressair, com inexcedível brilho, a bondade da Santíssima Virgem. Porque, se para obter o seu socorro, tivéssemos necessidade de praticar grandes virtudes, quantos pecadores desanimariam, quantas almas pusilânimes deixariam de a invocar. Não temo ser desmentido, afirmando reservar Maria seus mais especiais favores aos que nela tem uma confiança inabalável, aos que não tem hesitações quando a ela recorrem, e que em todas as circunstâncias lançam-se  a seus pés, implorando seu socorro. Há na vida momentos terríveis de atravessar: somos esmagados pelo peso da dor, ou tememos pelos que amamos. Quanto mais angustioso é o perigo, tanto mais urgente é a necessidade, tanto mais Maria se mostra solícita em socorrer-nos. Ela sofreu tanto e seu coração compreende a profundeza de nossos sofrimentos, a iminência do perigo que nos ameaça. Ela, porém quer também que lutemos contra o perigo; as nossas armas então são: a oração e a confiança. Recorramos a Maria; ela nos dará, no momento preciso, a graça necessária. Recorramos a ela, antes que nos traia a nossa fraqueza, e repitamo-lhes muitas vezes: Tomai conta de nossa salvação, ó Maria; antes morrer, do que pecar mortalmente.
 
Oração
Ó Maria! Não sei como obter o vosso perpétuo socorro, senão recorrendo ao vosso coração, confiando em vossa bondade, suplico-vos intercedais por mim, particularmente durante esta novena. Conheceis, Mãe querida, a grande necessidade que tenho do vosso socorro. Espero, com toda confiança, que me alcançareis todas as graças que vos imploro, ou melhores, mais conformes com a vontade divina. Fazei-me amar a vontade do Senhor, adorável regra de todas as coisas, de todos os acontecimentos, e não permitais que formule uma oração ou simples desejo contrário à vontade de Deus. Pesa-me imensamente, por ignorância ou malícia, ter esquecido deste dever.
Concedei-me, Maria, a graça de unir tão intimamente meus pensamentos e meus desejos aos vossos, de forma a sempre receber o vosso perpétuo socorro.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)
 
Exemplo
Um mancebo piedoso cursava seus estudos em um seminário de Sabóia, quando, arrastado por maus conselhos de um parente, e apesar das súplicas de seus paiss e de seus mestres, abandonou os estudos, e dirigiu-se para Paris. Aí obteve brilhante posição e durante alguns anos gozou de todos os prazeres, facilitados pela sua posição e dinheiro. Os maus amigos o conduziram até as mais baixas devassidões e, perdendo o lugar que ocupava, viu-se na maior miséria. Sem religião para levantar e sustentar o seu espírito, pois de toda educação religiosa só conservava o hábito de recitar quase maquinalmente, todas as tardes, a oração
- Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido a vossa proteção, implorando o vosso auxílio, e reclamando o vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado, pois, com igual confiança, ó Virgem das virgens, como à Mãe recorro e de vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus, mas dignai-vos ouvi-las propícia e me alcançar o que vos rogo. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.
Resolveu, eu seu desespero acabar com a vida, suicidando-se. Dirigiu-se  para um lugar afastado do canal de Saint Martin, escolhido propositadamente para evitar estorvos. Antes, porém, de executar o seu desígnio, por uma dessas contradições incompreensíveis, ajoelhou-se e recitou sua única prece: Lembrai-vos...
Ao levantar-se, e fitando o canal, pareceu-lhe ver, sob esse lençol de água, um abismo de fogo.
Aterrorizado, fugiu através da cidade, penetrando em uma igreja que se lhe apresentou em frente. O templo estava apinhado de fiéis e o altar da Virgem brilhando de luzes e flores. Era a Igreja de Nossa Senhora das Vitórias.
Daí a pouco, um padre, o padre Desgenettes, entra em seu confessionário. O mancebo cai-lhe aos pés e conta a sua história.
"Vou completá-la, diz-lhe o vigário de Nossa Senhora das Vitórias, ao calar-se o penitente. Não há muito tempo, um senhor bispo de Sabóia, pregando nesta igreja, pediu aos fiéis orassem por um moço seminarista, de quem ele fora professor, e a quem muito amava, e que, abandonando o seminário, se transviara em Paris".
O jovem saboiano, lavado em lágriams, confessou com sinceridade seus pecados, fazendo no dia seguinte uma piedosíssima comunhão no altar da Virgem Mãe das misericórdias.
Voltou para Sabóia, como o filho pródigo, pedindo perdão a seus pais e, reparando o escândalo dado, entrou para uma ordem religiosa. Bendita seja Maria, que não abandona nunca os que nela confiam, mesmo quando grandes pecadores. Não cessemos de recorrer ao coração sem igual desta Mãe, que só espera nossas súplicas para atendê-las.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sexto dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Duvidar do pérpetuo socorro de Maria é ferir seu Coração maternal
Maria tomao para si o título de "Nosso Perpétuo Socorro", para obrigar-nos a buscá-la com confiança, mesmo nas coisas julgadas impossíveis. Tendo direito a este título, ela o tem também à nossa ilimitada confiança. Em que basear-se uma desconfiança qualquer? Em nossas culpas? Mas, porventura somos mais culpados do que, o ladrão assassino, que insultava Jesus crucificado? No entanto, segundo o sentir dos Santos Padres, foi a oração de Maria que obteve a conversão desse grande culpado.
Precisamente porque sois pecador e, talvez há muito tempo tendes necessidade de Maria: sem seu socorro não saireis de vosso desgraçado estado.
Mas, se lhe pedirdes com confiança, sereis certamente atendido. "Quando um pecador se dirige a mim, dizia Maria a uma santa, não considero nem o número e grandeza de seus pecados, só escuto a oração que até mim sobe de seu coração". O pecador é um filho morto que ela tem o poder de ressuscitar, um filho doente que ela quer curar. Porventura uma mãe que visse um seu filho doente, dele desviaria o seu olhar, recusaria prestar-lhe auxílio e chamaria mercenários para tratá-lo? Maria sofre, pois, em seu coração de Mãe, quando em nossas necessidades, em nossas dores, em nossas dificuldades tememos ou demoramos em recorrer ao seu socorro. Ah! Ela sabe muito bem que o mundo não nos pode dar a pureza da consciência e a alegria do coração.
Temeis ir a Maria por terdes recaído em vossas faltas: ignorais ser ela a depositária do sangue de Jesus Cristo, que pode apagar até as vossas menores máculas? Sejam quais forem os vossos pecados, é sempre possível receber o perdão; mas, este perdão não é dado sem o pedirmos a Maria. Temeis pedir, porque muito já vos foi concedido? Não sabeis que ela dispõe dos tesouros inesgotáveis da divina Providência? Pelo contrário; Maria alegra-se com as nossas importunações,  que põem em evidência não só o seu poder, como a sua caridade. Vinde sempre, sempre e sereis sempre acolhido com benignidade.
Se, após vossas faltas ou em vossas orações, temeis recorrer a Maria, a quem recorrereis? Tendes necessidade de socorro, quem vo-lo pode dar, senão Maria? Não a vistes no Calvário e depois da morte de Jesus Cristo? O que temeis pois? Que provas maiores quereis, para animar a vossa confiança? Se Jesus Cristo deu sua vida por nós, Maria nos deu a vida de seu filho.
Custa menos a uma mãe entregar-se à morte, do que sacrificar a vida de seu filho bem amado. No entanto, Maria sacrificou a vida de seu Filho único, para mostrar-vos que nunca, nunca deveis duvidar de querer ela a vossa salvação. Ela tem direito à vossa confiança, conquistou-a a custo de suas lágrimas, de incríveis dores, e por seu consentimento ao sacrifício da cruz. Não podeis, sem ferir o seu coração, duvidar de sua liberalidade, de sua ternura, sabendo, principalmente que nunca a maior ingratidão enfraqueceu a sua dedicação pelos nossos interesses. Vinde, pois, lançar-vos a seus pés, abri-lhe vosso coração, confiai-lhe vossas tristezas, vossos desgostos, vossas fraquezas; depositai todas as vossas dores no Coração maternal de Maria. Por todos os seus sofrimentos ela mostrou ser verdadeiramente nossa Mãe.
Por que duvidar de uma mãe que tudo sacrifica por nos amar muito?

Oração
Ó Maria, não vos farei a injúria de duvidar de vosso perpétuo socorro, pois me é impossível deixar de vos amar. Creio na perserverança de seu amor filial por vós e portanto não posso duvidar da perserverança de vossa ternura maternal. Nela confio, principalmente durante esta novena, apesar de minhas faltas, de minhas recaídas e, devodizê-lo, apesar de minha ingratidão. Ó Maria, preservai-me de vos ser ingrato. Preferia morrer, a deixar de vos ser reconhecido. Antes a morte,  a cessar de amar-vos.
Ó Maria, minhas resoluções são um fraco embaraço à minha covardia, à minha inconstância, mas eu vos suplico: tomai-me como eu sou, fazei de mim uma propriedade vossa, se eu quiser fugir às vossas mãos e, sustentado por vosso pérpetuo socorro, espero chegar à eterna felicidade.
(Rezam-se 9 Ave-Marias)

Exemplo
Em um colégio, dirigido por sacerdotes, cursava as aulas um aluno de 18 anos, Carlos...Havia alguns anos, este moço, bom estudante, no entanto, vivia afastado de seus companheiros, triste, tendo um gênio irritado e quase feroz.
Por ocasião de uma festa de Nossa Senhora, houve comunhão geral e nenhum aluno faltou à sagrada mesa. Pela tarde, quando no recreio e alegres todos falavam da bela festa realizada, Carlos... foi chamado para falar com o superior. Ao entrar no quarto, este disse-lhe de improviso:
_ O que tens, Carloss, que estás sempre triste?
_ Sofro horrorosamente, padre superior.
_ Estás doente? Alguma pessoa de tua família não está bem?
_ Ah! Antes assim fosse. Há três anos cometi um pecado muito grave; fui confessar-me, tive vergonha e não o revelei ao padre. Para não fazer exceção, comunguei sacrilegamente e há três anos, apesar de minhas resoluções nos retiros, não confesso o pecado e continuo a comungar sacrilegamente. Sou um verdadeiro demônio: tudo me irrita, não suporto os meus companheiros, estou continuamente à espera do castigo de Deus, para ser lançado no inferno. Ainda hoje, quando fui comungar, parecia-me sentir fogo em meu peito e julgava ter chegado o momento de meu castigo.
- Tenha coragem, meu filho, Nossa Senhora, o salvará.
- Ah! Eu o espero, respondeu Carlos, porque a única coisa boa que eu faço é rezar todos os dias a seguinte oração: Ó minha Soberana, minha Mãe, ofereço-me inteiramente a vós, e para dar-vos uma prova de minha dedicação, vos consagro hoje meus, meus ouvidos, minha boca, meu coração, meus pensamentos, tudo quanto  eu sou e possuo. E como vos pertenço, minha boa Mãe, guardai-me, defendei-me como um bem, uma propriedade vossa.
- Pois bem, meu filho, Nossa Senhora é o refúgio dos pecadores; quem nela confia não será condenado. E o superior o conduziu brandamente à capela particular do colégio e aí, ajoelhados perante o Altar da Virgem Santíssima, rezaram juntos uma Ave- Maria. Ao terminarem, Carlos chorava em soluços. No dia seguinte, um padre desconhecido no colégio ouvia o jovem estudante em confissão e uma comunhão fervorosíssima sanava tantas feitas sacrilegamente. O moço, estudante continuou alegremente seus estudos, foi um modelo de piedade para seus companheiros e hoje é um sacerdote cheio de fé e ardente zelo pela salvação das almas. O seu amor por Maria, a quem deve sua salvação, não tem limites.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quinto dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Maria quer, sob o título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ganhar a nossa confiança

Entre os homens, um título indica uma qualidade ou uma função. Como somos levados a duvidar das coisas que estão acima de nossa inteligência e como não podemos fazer a menor ideia da bondade de Maria, ela recorre a títulos que nos tornem de alguma sorte palpável o seu poder e a sua ternura para conosco.
Daí os seus diversos títulos, tais como: Mãe de misericórdia, Refúgio dos pecadores, Socorro dos cristãos, os quais claramente indicam as funções que ela exerce a nosso respeito, ou outros que patenteiam a natureza dos socorros que nos quer conceder: Estrela do Mar, Saúde dos doentes, Consoladora dos aflitos, Maria, tomando títulos correspondentes à maior parte das penas da vida humna, quer sejam eles autênticos, e não possam ser contestados ou julgados vãos. Nisto procede do mesmo modo que uma pessoa sensata, não fazendo promessa que não possa cumprir, ou possa ser desementida. Assim, a Virgem quer que cada um de seus títulos tenha toda a significação, e que, portanto, em nossas grandes mágoas, saibamos não ser vã a invocação da "Consoladora dos aflitos".
Entre todos esses títulos, nenhum há que nos possa inspirar maior confiança do que o de Perpétuo Socorro dos cristãos, pelo qual Maria se obriga a nos conceder uma contínua assistência, a nunca demorar o seu socorro. Com efeito, se uma única vez ela recusasse ou adiasse o momento de nos socorrer, este não seria perpétuo. É preciso que o conceda desde que o reclamemos, mesmo quando  não o mereçamos e apesar de nossas resistências e de nossas faltas. Nenhuma virtude é necessária para ser socorrido por Maria: é unicamente preciso  orar com fé e confiança. Mas, direis, tantas e tantas vezes tenho implorado o socorro de Maria, principalmente em tal aflição, em tal dificuldade e ela não me concedeu o que lhe pedi. É certo que Maria deseja a salvação de todos, coopera na salvação de todos, na vossa particularmente e com toda a solicitude.
Maria, porém, que quer ouvir a vossa prece, não se obriga a conceder o que pedis, mas, o que é necessário, segundo o conhecimento que tem de vossas necessidades atuais. Concede-vos o que julga vos ser mais útil. Ela vos dá melhores bens do que os que solicitais. Se ouvisse tão somente o vosso pedido, mereceria a censura, a que se sujeitaria uma mãe, mais fraca do que prudente, concedendo a seu filho voluntarioso coisas sabidas prejudiciais. Um ilustre doutor da Igreja, Santo Afonso de Ligório, respondendo à vossa objeção, aconselha aos servos de Maria a lhe pedirem as graças que ela por eles roga ao Senhor; " porque,  diz ele, nossa augusta Mãe deseja para nós bens maiores do que os que podemos desejar, bens que mais diretamente nos levarão ao céu". Maria, durante longos séculos, provou por inumeráveis milagres merecer o título de nosso perpétuo socorro. Mostra anda hoje querer conservá-lo, dando à Igreja o quadro miraculoso, garantia da devoção e confiança de seus filhos. Ela proclama assim o seu perpétuo socorro, que é a nossa perpétua esperança. Maria, tão boa para com os ingratos e os pecadores, será ainda mais terna para os que a amam e a invocam frequentemente. Não deixemos, pois, passar um só dia sem lhe expor as nossas necessidades, os nossos desejos, sem deixar de lhe pedir o seu socorro.
Assim teremos a certeza de receber a graça que nos tornará mais agradáveis a Deus, a que melhor nos disporá para nossa salvação.

Oração
Ó Maria, manifestando-vos como nosso perpétuo socorro, quisestes que nem um instante temêssemos a privação de vossos benefícios. Agradeço-vos terdes tomado um título tão próprio para inspirar-nos invencível confiança. Espero, pois, minha salvação, conto, pois com o vosso perpétuo socorro, e com a graça de poder sempre implorá-lo. Ó minha mãe tão terna Mãe, nunca duvidarei de vossa inesgotável bondade; só temo não vos testemunhar uma confiança digna de vossa ternura. Ofereço, por intermédio de vosso coração, esta novena ao Coração de Jesus, e vos suplico de substituirdes minha oração, se porventura a minha intenção não vos parece digna de ser ouvida. Concedei-me o que julgardes mais útil às minhas necessidades e à salvação das almas que vos recomendo. Fazei-me preferir para mim e para os outros favores imperecíveis, que me tornem digno de uma recompensa eterna.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)

Exemplo
Um nobre polaco, o conde S., foi preso, por ter tomado armas contra a Rússia, e condenado à morte. Sua esposa, recebendo esta notícias, dirige-se à sua capela, levando seu filho, de 10 anos de idade, e, prostrando-se ante a imagem da Virgem do Socorro lhe diz: " Santa Virgem Maria, orai por nós, protegei-nos, salvai-nos, dai-me o meu marido, dai a meu filho o seu pai; tende piedade de nossas lágrimas, vós a quem nunca ninguém invocou em vão, vós que tanto amais vosso divino Filho, e que tanto sofrestes!" Cheia de confiança na Virgem, acalmou-se. E refletindo, parte para a prisão acompanhada de alguns de seus servos e de seu filho. Com o auxílio de algumas moedas de ouro, penetra no cubículo onde estava encerrado seu esposo, donde sai, algum tempo depois, conduzindo pela mão o seu filho.
Só à tarde foi feita a inspeção da prisão. No cubículo do condenado à morte foi encontrada a condessa vestida com a roupa de seu marido. O conde, aproveitando o dia, alcançara a fronteira e dirigiu-se para Paris. Passou-se um ano sem que o conde soubesse  do destino de sua corajosa esposa. O menino colocado em um bom colégio católico, crescia em instrução, piedade e bons sentimentos. Aproximando-se a época de sua primeira comunhão, o menino preocupado com a ideia de que a sua mãe a assistisse, escreveu uma carta ao criado de confiança que havia permanecido em Varsóvia: " Pedro, diz à mamãe que vou fazer a minha primeira comunhão, e que é absolutamente preciso que nesse dia ela se ache em Paris para assistir a ela. Não lhe escrevo porque detêm todas as nossas cartas, mas, emprega todos os esforços para transmitir-lhe meu pedido." Dentro da carta, o menino meteu uma imagem da Santa Virgem. Estanislau, assim era o nome do menino, nada disse a seu pai, mas, confiava em absoluto na Santa Virgem, pedindo continuamente à  Mãe poderosa a presença de sua mãe. Na véspera da comunhão, o menino disse a seu pai, quando este lhe comunicou que também comungaria: "Espero também que mamãe não faltará!" -Ah! Exclamou o conde... e calou-se. Sabia ser impossível a realização do desejo de seu filho.
Às 5 horas da tarde, Estanislau dirigia-se para portaria, quando, encontrando um dos professores, este lhe perguntou:
-Aonde ides, meu filho?
- Vou ver se alguém me procurou.
- Mas, vosso pai já veio esta manhã.
- Eu espero também mamãe, que virá, estou certo.
- Tende paciência, a hora das visitas está passada; nada de distrações; ide para o lugar onde estão vossos condiscípulos.
"Não faz mal, pensou o menino, obedecendo; mamãe, se chegar, manda chamar-me".
Oito horas da noite... e ninguém. É servido o chá e iam subir para o dormitório.
Estanislau, confiando em Maria, para quem nada é impossível, esperava sempre.
Foi então que uma senhora, com as vestes em desalinho, entrava na portaria e pedia para ver o menino Estanislau. O porteiro recusa, a condessa, (era ela), aproximou-se da grade, e Estanislau, que não cessava de olhar para aí, deu um grito: " Eis aí a mamãe!"- e caiu sem sentidos.
O que havia acontecido? A condessa conseguira fugir das garras dos agentes que a levavam para a Sibéria. Apesar de imensas dificuldades, por falta de recursos, pôde chegar a Paris. Para onde dirigir-se nessa vasta cidade? Felizmente, Estanislau, em sua carta a Pedro, o criado de confiança, havia dado o endereço de seu colégio.
No dia seguinte, o conde e a condessa, alegres, entusiasmados, recebiam, unidos ao seu filho, o pão dos anjos, a hóstia imaculada, e depois, prostrados diante do altar da Virgem, não podiam conter as lágrimas de reconhecimento por tão grandes socorros. Maria nunca desampara aos que nela confiam firmemente.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quarto dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Pode-se ter em Maria uma extrema confiança

Há graus na virtude; mas, não os há na confiança que devemos depositar em nossa boa Mãe, porque esta confiança deve assemelhar-se à que lhe testemunhou Jesus Cristo na Terra. Tendo recebido a vida de Maria, entregou-se cegamente a seus cuidados, deixando-a pensar e agir por ele. Manifestou a mais absoluta submissão à sua vontade: e morrendo na cruz, buscou em seu olhar uma última consolação.
Jesus quer que o imitemos  em seus afetos para com sua Mãe. Ele unia por tal forma Maria à sua pessoa, que ela considerava como suas as afeições, as penas, as consolações de Jesus. Ora, Maria, amando-nos com o mesmo amor com que nos ama Jesus, nossas aflições, nossas mágoas tornam-se suas. Uma mãe terna, amorosa, sofre mais das dores que vê um filho sofrer, do que se fosse ela mesma atingida por essas dores. Por conseguinte, Maria sofre muito mais do que nós pelas provas e penas que nos afligem. Com que viva compaixão não desejaria nos aliviar? E por que não o faria, se para isso tem todo o poder? Não podemos duvidar de sua bondade. Poderíamos recear, seguindo o exemplo de Jesus exagerar a nossa confiança em Maria? Nosso Senhor quer que tenhamos em Maria tanta confiança quanta temos nEle, a fim de que nossos sentimentos para com sua Mãe sejam iguais aos seus. Jesus parece ter empenho em excitar a nossa confiança por todas as graças temporais e espirituais, que concede por intercessão de sua Mãe, e lhe diz com mais verdade do que Salomão a Betsabé: Pedi, minha Mãe, e tudo vos será concedido. Devemos, pois, temer muito mais que a nossa confiança em Maria não se harmonize com a de Nosso Senhor, do que temer exagerá-la. Se não sabeis até onde podereis levar vossa confiança em sua poderosa bondade, ficai-vos nessa regra segura: contanto que em nossos pensamentos  coloquemos Maria logo abaixo de Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos elevá-la tão alto quanto desejarmos.
Sua bondade e sua grandeza não tem comparação possível, excetuando Deus. De seu poder ainda temos uma ideia superior, elevação de sua pessoa, porque Jesus pôs nas mãos de Maria tudo quanto Deus Pai lhe concedeu. O que, pois, não devemos esperar de Maria, onipotente por Jesus Cristo, que , como Deus, é a própria onipotência?
Peçamos a Maria para interceder por nós, a fim de que a sua prece supra a insuficiência de nossa súplica. Rogar por esta forma, não é faltar-lhe com a nossa confiança, mas confessar a nossa indignidade.
Tenhamos para com Maria pensamentos dignos do amor que ela nos tem, dignos dos cuidados que ela tem por nossa salvação. Não embarecemos sua bondade, mostrando falta de fé em seu poder. Não esqueçamos que ela pode tudo quanto quer... Ousemos pedir-lhe tudo, tudo quanto for digno e bom... e esperemos tudo de sua maternal ternura, porque ela nos permite tudo arrancarmos de seu coração misericordiosíssimo.

Oração
Virgem Imaculada, sede nosso refúgio em todos os perigos da alma e do corpo. Não permitais que, por minha negligência em vos pedir, eu sinta diminuir minha confiança em vós, tão necessária para minha salvação. Eu sou um miserável; mas, longe de desconfiar de vossa bondade, venho expor-vos minhas necessidades e suplicar o vosso socorro. Recomendo-vos em particular... ( a intenção da novena)
Suplico-vos me concedais esta graça, se for para glória de Deus. Mas, sobretudo vos suplico me façais desejar o que me quereis dar. Sabeis o que convém à minha alma; qual a vontade do Senhor. Sujeito minha vontade à de Deus e à vossa. Peço-vos, principalmente, conceder-me duas graças: a de amar ardentemente Nosso Senhor, e a de recorrer sempre a vós, para ser sempre assistido de vosso perpétuo socorro.

(Rezam-se 9 Ave- Marias)

Exemplo

Nossa Senhora do  Perpétuo Socorro manifestou a sua maternal bondade ao padre Hall, redentorista. Estava ele, havia anos, sofrendo de extrema fraqueza, quando caiu gravemente doente. Os seus confrades começaram uma novena a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro  por sua intenção. A princípio, a Santa Virgem quis experimentar-lhes a fé, pois chegaram ao fim da novna sem o doente ter experimentado melhoras; pelo contrário, o seu estado era cada vez pior, tanto que, no nono dia, o superior julgava a cada instante vê-lo entrar em agonia. No dia seguinte, pela manhã, ao toque das Ave- Marias, manifestou-se no moribundo uma estranha revolução. " Senti, conta ele, como se uma vida nova se insinuasse em todos os meus membros". Na mesma ocasião, levantou-se, foi celebrar a missa e entregou-se, como se nunca tivesse estado doente, às suas ocupações de costume. Foi, depois, pregar missões na Irlanda, com grande fruto.
A devoção a Maria é um penhor seguro de salvação.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Terceiro Dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.
R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
 
A devoção a Maria conduz as almas a Jesus Cristo
 
Jesus e Maria são inseparáveis. Só por Maria se pode ir a Jesus, e ninguèm se pode aproximar de Maria, sem encontrar Jesus. Santa Isabel, recebendo Maria, ao ouvir a sua voz, descobre Jesus, que vinha santificar o menino que ela trazia em suas entranhas. Os magos vêm à procura de Jesus e encontram o Menino e sua Mãe. Admirável imagem de nossas relações com Jesus e com Maria: por toda parte os encontramos unidos para nos amar e cumular de benefícios.
No mundo, admira-se muitas vezes a conversão súbita à vida cristã, quando essas almas pareciam longe de receber graça tão assinalada. Jesus Cristo, movido por uma prece de Maria, comovido por um olhar suplicante ou alguma pequenina homenagem, esclarece, de uma graça eficaz, essas almas levianas ou rebeldes. Uma vida exemplar é o prêmio de uma franca devoção a Maria. Todos os que a graça apanha nos caminhos mundanos e, convertidos, seguem a Jesus Cristo, transpõem com o auxílio de Maria o abismo que separa o mundo do caminho do céu. É Maria quem nos sustenta e nos impede de olhar para trás. Quantas e quantas graças obtidas dão testemunho da utilidade, da necessidade de devoção a Maria. Esta devoção é uma graça que nos atrai outras mais preciosas. Mas, é precisamente no uso dos sacramentos que encontramos Maria ocupada em preparar-nos a bem recebê-los. Quem comunga com fervor, com amor, senão a alma que ama Maria?...
Recebeis na mesa santa o corpo adorável de Jesus, mas, foi Maria quem nos alcançou essa graça. A Maria deveis todas as piedosas disposições com que vos aproximais desse divino sacramento. Quando visitais o Santíssimo Sacramento, tão solitário no sacrário a maior parte do dia, é Maria quem vos inspira o pensamento de honrar o seu divino Filho no tabernáculo:"como é bom estar aqui". Mas, se sentis a presença de nosso doce consolador, é Maria quem para vós inclina o ouvido de Jesus e quem dispõe seu coração a vos ser favorável. Deus Pai disse ao mundo duas vezes: " Eis meu Filho bem amado... escutai-o...." Maria, porém, todas as vezes que entramos na igreja, nos diz:  "Eis meu Filho muito amado, vinde ter com Ele! Escutai sua voz e segui seus exemplos". Quem não ouviu ao íntimo de seu coração, a voz de Maria, instando-nos pela nossa fidelidade às promessas do batismo, recebidas por ela e por Jesus, promessa que solenemente renovamos no dia de nossa primeira comunhão? Se, depois deste grande dia, fostes fiel a Jesus, fiel à graça da vocação, o deveis à Maria; mas, se por desgraça perdestes a inocência, é porque sem dúvida alguma, fostes infiel ao culto de Maria; examinai bem e vereis que arrefecestes ou abandonastes as práticas de devoção para com vossa boa Mãe.
Se quereis servisr mais fielmente a Jesus Cristo do que o fizestes até agora, ficai certo que Maria, que vos inspira este desejo, vos dará a força de o realizar. Em uma palavra, toda graça que nos aproxima de Jesus Cristo nos vem das mãos de Maria. E é preciso pedi-la assim como a graça por excelência da perserverança final, que ela tem em suas mãos. Roguemos a Maria, com todo o fervor, a graça de perserverarmos em nossas boas resoluções, de caminharmos até a nossa hora extrema de nossa vida, sempre entregues ao serviço de Deus. Aquele que lhe pedir a perseverança em cada dia de sua vida, diz Suarez, infalivelmente a obterá.
 
Oração
 Ó Maria! Eu vos suplico que me conduzais a Jesus; alcançai que Ele seja o Senhor soberano de minha alma. Ó Maria, quisera vos amar tanto que cada ato de meu amor vos pudesse dar graças pelos benefícios recebidos, principalmente por minhas comunhões.  E porque sobre mim se abrem tão liberalmente vossas mãos e as de Jesus, acrescentai um novo título à minha gratidão, ouvindo as orações que vos faço durante essa novena. De antemão vos agradeço o novo sinal de ternura que corresponderá às minhas preces. Se não receber o que desejo, receberei, sem dúvida, uma melhor graça. Dever-vos-ei um duplo reconhecimento: o de terdes escutados minhas orações e o de me terdes deferido mais favoravelmente do que o desejava. Atraí para vós meu coração, pela confiança, e guardai-o para sempre pelo amor e pela gratidão.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)

Exemplo
Uma pessoa ia de carruagem pela estrada que conduz a S. Nicolau do Porto (Bélgica). No caminho, o carro tombou e ela partiu uma perna. Foi tão completa a fratura que o pé ficou deslocado. No auge da dor, reanimou as forças e falou cheia de fé:" Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, curai-me!Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, vinde em meu socorro!" Apenas tinha pronunciado estas palavras, a doente pediu tornassem a metê-la no carro. Chegando a casa, mandou chamar o médico. Esse não tardou; examinou minuciosamente a perna e disse:" Não acho nada quebrado, nem fora do lugar. Pode servir-se do tornozelo à vontade.Vejo que os dois ossos do tornozelo estiveram partidos, mas, afirmo que neste momento se acham perfeitamente ligados". " Protegida de Maria, podia, pois, andar; estava completamente curada".
Em qualquer cirscunstância devemos recorrer a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro com toda a confiança e sempre seremos atendidos pela melhor forma para o nosso bem.