domingo, 21 de fevereiro de 2010

Oitavo Dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.
R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro jamais se cansa de receber o testemunho de nossa filial confiança
 
Jesus derramou no Coração de Maria esta bondade expansiva, da qual tantas provas deu. Demais, deu-lhe em nosso favor, segundo S. Tomás, os dons da mais alta maternidade, porque é ao mesmo tempo Mãe de nossos corpos e de nossas almas. e como tem o poder de nos socorrer, na proporção de seus desejos, quer que a coloquemos em condições de exercer este poder, glória sua: de tirar para nós tudo dos inesgotáveis tesouros da Providência Divina.
Compreende-se bem quanto uma mãe terna, poderosa e rica, gosta de ouvir de seus filhos a exposição confidencial do que esperam de seu coração. Se um de seus filhoss, tornado culpado, dela se afasta, ao primeiro sinal de arrependimento não lhe abre ela, porventura os braços?... Se um outro está doente, consente que um mercenário vá velar à sua cabeceira? Inferi, dos sentimentos inerentes à maternidade, se Maria pode deixar de desejar ardentemente que lhe peçamos o seu socorro, que a chamemos dia e noite em nosso auxílio, quaisquer que sejam os nossos sofrimentos ou as nossas necessidades? Como sua ternura não a arrastará imediatamente a proteger-nos, quando por experiência ela sabe o que é sofrer! "Sua vida, diz São Bernardo, foi um tecido de dolorosas agonias e de temores piores do que a morte".
Ela não pode ver nossos males corporais ou espirituais, sem lembrar-se de suas próprias dores. Veria ela friamente uma mãe chorar sobre o sepulcro de seu filho?
Quando vê nossos corações angustiados com a previsão de sacrifícios, de dores, pode, por acaso, esquecer que durante trinta e três anos sentiu a ponta da espada que traspassou seu coração na morte de Jesus Cristo? Podemos, pois, e Maria tem o direito de o esperar de nossa confiança, dizer de sua bondade o que Deus nos disse de seu próprio coração:" uma mãe pode esquecer seu filho? Quando mesmo ela o fizesse, eu nunca o esquecerei.  Eu te trago escrito em minhas mãos". Sim, Maria nos traz escritos em seu coração com suas lágrimas e com o sangue de seu Filho! Apressai-vos, pois, quando tiverdes alguma pena, em prostrar-vos diante de sua imagem, e orai como se a tivésseis em vossa presença. Ela o está na realidade; seu olhar fixa-se imediatamente sobre o que a implora. Confiai-me com ardor todas as vossas necessidades, os vossos desejos. Pedii-lhe com confiança as graças que temeis possam não vos ser concedidas. Ficai certo que a multidão de vossos pedidos não a importunam... Ela se queixará se descobrir em vós uma necessidade que lhe tenhais calado, uma pena da qual não lhe tenhais feito a confidência, uma falta que tiverdes hesitado em confessar-lhe. Maria, como Nosso Senhor, pode ouvir todas as nossas súplicas, porque nos concede todas as graças, não só necessárias, mas, também, úteis ao nosso bem.
 
Oração
Dulcíssima Virgem Maria, aprendi nesta novena quão digna sois de ser amada e que imensa confiança merece o vosso perpétuo socorro. Meu coração enche-se de alegria por quererdes absolutamente que eu me apóie em vossa maternal assistência. Nada desejo tanto como isto. Ó minha Mãe, estou certo, creio firmemente que me alcançareis maior número de  de graças, do que as que vos pedi. Eu me entrego à Vossa bondade, para obter tudo quanto me falta, e todos os dias agradecerei ao vosso perpétuo socorro, que eu reclamo para mim e para meus parentes. Ó Maria, na entrada da eterna bem- aventurança, recebei nossas almas em vosso seio maternal.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)
 
Exemplo
Ia um sacerdote saindo de uma prisão em Paris, quando um guarda lhe disse:  "Está aí um preso condenado e que já repeliu alguns dos vossos companheiros; quereis vê-lo?"
- Sem dúvida- respondeu o padre.
O preso havia sido recolhido à solitária, para contê-lo do furor em que ficara, quando soube ter sido condenado à morte.
Ao avistar o padre, gritou:
- Que vindes aqui fazer? Não quero confessar-me, não preciso de padre!
- Mas, não vim confessar-vos, replicou o ministro do Senhor; vim fazer-vos uma visita. Estais só, o isolamento vos aborrecerá, uma palestra não faz mal!
- Vá lá! Parece-me que sois um homem às direitas, não vos envergonhais dos desgraçados. Assentai-vos nessa pedra.
O padre não se fez rogado. Em breve o condenado contava-lhe a sua história. Terminada ela, o sacerdote com muita cautela, quis ver se obtinha uma confissão. A repulsa foi brusca e violenta.
Mas, com bondade obteve do condenado a promessa de rezar todos os dias a oração:
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção implorado vosso socorro  e invocado vosso auxílio, fosse por vós desamparado.
Animado, pois, com igual confiança, a vós, ó Virgem entre todas singular, como minha Mãe recorro; de vós me valho e gemendo sob o peso dos meus pecados, me prosto a vossos pés.
Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humano, mas dignai-vos de as ouvir propícia e
de me alcançar o que vos rogo. Amém.
Voltou várias vezes à prisão, sem alcançar coisa alguma; o prisioneiro parecia ter a alma empedernida, nada o comovia, nenhuma súplica o abalava. Filho de uma família importante, sua educação, principalmente a religiosa, fora descurada. Arrastado pelo torvelinho das paixões, chegou até ao crime; foi condenado à morte. Sem ter recebido o mínimo princípio religioso, seu coração parecia completamente fechado a todo sentimento bom e generoso.
Para Maria não há impossível: basta  uma súplica, para mover o seu coração maternal, por maior, por mais indigno que seja o pecador. E o desgraçado achava prazer em ler a oração "Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem "... que o padre lhe deixara escrita, mesmo sabendo-a de cor.
Na ante-véspera da execução, o ministro do Senhor, depois de rogar muito a Maria pelo seu protegido, iniciou francamente um interrogatório em forma de confissão.
O prisioneiro compreendeu bem, e não o repeliu, como das outras vezes. Terminada a confissão, diz-lhe o padre:
_ Sua confissão está feita; agora arrependa-se profundamente de seus pecados, peça perdão a Deus; vou dar-lhe a absolvição.
O infeliz ajoelhou-se na cama e, lavado em lágrimas, exclamava:
- Ó meu Deus... como sois bom... Não vos ofenderei mais... Perdão, perdão para este infeliz! Meu padre, tirastes-me um peso de seiscentas arrobas de sobre o peito.  Ajoelhai-vos e vamos rezar juntos, pois só assim minhas orações serão ouvidas.
O padre ajoelhou-se junto ao condenado e ambos, por algum tempo, uniram suas preces, derramando ambos abundantíssimas lágrimas.
Dois dias depois, o infeliz subia ao cadafalso, mostrando grande coragem e piedade. Sua alma, purificada pela santa Eucaristia, voava à mansão celeste. Maria, a Mãe das misericórdias, havia obtido as graças necessárias para arrancar essa alma ao inferno.

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