domingo, 14 de fevereiro de 2010

Primeiro Dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.
R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO

Jesus confiou as almas cristãs à sua Santa Mãe

Durante a cruel agonia de Jesus na cruz, quando estava prestes a extinguir-se a sua vida, dirigiu seu olhar a Maria,e , designando o discípulo amado, disse-lhe:" Eis aí o teu filho." Se estas misteriosas palavras comoveram profundamente a Maria, elas sobretudo, gravaram-se em seu coração. Desde esse instante sentiu-se tornar-se a Mãe de todos os cristãos.
Quem poderia admirar-se da linguagem enérgica dos santos doutores, quando nos querem fazer compreender os arroubos de amor de Maria para conosco? É verdadeiramente na pessoa de São João, salpicado de sangue de Jesus, que começou nossa adoção; mas, foi na qualidade de discípulos de Jesus que Maria nos adotou por filhos. A seus olhos não somos distintos de São João e cada um de nós é seu filho adotivo. Jesus nos confiou a Maria no momento em que se mostrava para conosco de uma ternura e de uma incompreensível generosidade, a fim de lhe mostrar que queria que ela tomasse cuidados maternais para nossa salvação e para a nossa vida.
O mesmo, quando em sua peregrinação na terra ocupou-se não somente das almas, mas, também da saúde de todos que a Ele recorriam. Quantos não foram os seus milagres: dando vista aos cegos, ouvido aos surdos, vida aos mortos?! Quer que Maria exerça sobre nossas almas, que lhe entrega tintas de seu sangue, e mesmo sobre a nossa natureza física, o poder que lhe conferiu.
Não é dever de uma mãe empregar todos os esforços para curar os males de seus filhos? Maria tem mais do que a bondade de uma mãe terrena: o poder de nos aliviar. Ela, portanto, fará por nós, segundo a intenção de Jesus, tudo quanto faria por seu filho a mais terna das mães. Imitando São João, que correspondia tão perfeitamente à ternura maternal de Maria, amemos a Jesus e Maria sobre todas as coisas. Consagremo-lhes nossos corações, nossas vidas.
Se Deus, em seus desígnios, exige que soframos, mantenhamo-nos firmes, sobre o Calvário, junto à Maria, nossa mãe aflita; ela saberá mitigar nossos sofrimentos e consolar-nos em nossas penas.
Velemos para que nada manche a pureza de nosso corpo: nem nossos pensamentos, nem nossas ações, para não ferirmos o olhar de nossa Mãe. Afastemos tudo que possa comprometer a castidade de nossa alma, essa virtude tão frágil, tão delicadam pela qual Maria se mostra tão ciosa. Tenhamos glória em amar e servir a Maria, certos, como devemos estar, de que ela tomará cuidado de nós no tempo e na eternidade.

Oração

Mãe tão terna e tão aflita, ao pé da cruz, sinto-me feliz, sabendo ser leis para vosso coração as palavras de vosso divino Filho. A seu pedido nos adotastes por filhos/as. Sou indigno/a de tomar um título tão doce ao meu coração; mas, como não alegrar-me, sabendo que sois minha Mãe e sentindo todos os vossos benefícios?
Concedei-me a graça de conformar-me sempre com os vossos desejos, como se fossem leis amadas. Muitas vezes meus atos contristaram o vosso olhar, mas, não quero mais ofender a Deus. Ah! Seja minha fidelidade nessa resolução o testemunho de vosso perpétuo socorro e do meu reconhecimento para convosco. Ó Maria, por piedade, não consintais que eu me esqueça de quanto me amais, a fim de não deixar nunca de recorrer com confiança ao vosso amor. Recebei bondosamente a novena que faço nesse momento na intenção...... (declara-se a intenção). Eu vos peço ainda mais: o ódio ao pecado, o amor a Jesus e, a graça de vos orar sempre, a fim de ser na vida e na morte objeto de vosso perpétuo socorro.
(Rezam-se 9 Ave-Marias)

Exemplo

A senhora L., zeladora do Rosário, passando um dia, pela praça dos Capuchinhos, viu uma menina, quase despida, representando ter de seis a oito anos, que tendo quebrado o gelo de uma fonte, mergulhava na água um objeto qualquer.
_ Que estás fazendo aí, pequenina?
_ Lavo meu paletó.
_ Mas, é preciso pôr alguma coisa sobre teu ombro.
_ Não tenho.
_ Como te chamas?
_ Maria.
_ Onde está tua mãe?
_ No cemitério.
_ E teu pai?
_ Doente e triste ali em casa.
_ Pois bem, leva-me à tua casa.
A órfã olhou a desconhecida com um certo temor: depois, animada pelo afetuoso sorriso que a senhora L. a contemplava, pôs sua pequenina mão gelada na que lhe estendia sua nova amiga, e dirigiu-se para uma dessas terríveis habitações, residência ordinária do vício ou da miséria.
Chegadas ao último andar, a menina abre a porta e diz:
_ Papai, está aqui uma senhora que te quer ver.
_ Ver-me!... a mim?! Uma senhora! É boa! Sem dúvida quer gozar o espetáculo da minha miséria! Pode ir-se embora- exclamava raivoso, apontando com o delo para a porta entreaberta.
_ Queria oferecer-vos socorros- murmurou a visitante, um pouco atemorizada.
_ Não tenho necessidade de coisa alguma; quero ficar tranquilo em minha casa, replicou o sujeito. Nada mais havia a fazer. A caridosa zeladora abraça a menina e diz-lhe baixinho:" Quando precisares de alguma coisa, vai ter comigo!, e saiu.
Passaram-se semanas, sem que a menina aparecesse. Madame L. avistou-a um dia emagrecida e com os olhos cheios de lágrimas. Seu pai, a que faltava trabalho e por conseguinte o pão, a mandara mendigar.
A senhora levou-a para casa e a fez contar sua vida.
_ Mamãe era muito boa. Todos os dias, de manhã e à noite, fazia-me rezar o Padre-nosso e a Ave Maria. Meu pai,também era bom; mas, depois que vieram buscar mamãe para levá-la pra o cemitério, ficou triste, pôs-se a ler grandes jornais e não fala em Deus, senão muito irritado.
Esta história foi uma revelação para a senhora L. Fez a menina prometer-lhe que rezaria todos os dias um Padre Nosso e dez Ave- Marias, para alcançar a felicidade de seu pai, e dando-lhe abundantes provisões, despediu-a. Após um mês, a menina volta à casa de ua benfeitora, mas, desta vez mostrando muita alegria.
_ Madame, papai queria conversar com a senhora, mas, não ousa vir à sua casa.
A senhora apressou-se em ir à miserável mansarda, onde encontrou o operário.
_ Madame- diz-lhe este, respeitosamente- não sei como isto se passou, mas, não sou o mesmo homem. Ouvindo a pequena recitar tantas vezes o Padre-Nosso e a Ave- Maria, a princípio impacientei-me; depois acabei repetindo maquinalmente com ele essas preces, lembrando-me que minha pobre mulher também as recitava... Por fim, chorei, arrependendo-me de minha má vida, e sentindo pesar da insolência com que vos recebi, a senhora que tem sido tão boa para conosco. Por isso, mandei-a chamar para pedir-lhe perdão.
Esse perdão foi concedido com prazer e Deus, depois de ter purificado e aliviado a miséria da alma e do corpo desse infeliz, por intermédio de sua generosa serva, salvou estes dois entes, fazendo-os felizes. Maria ouve as preces de seus filhos.

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