quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quinto dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Maria quer, sob o título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ganhar a nossa confiança

Entre os homens, um título indica uma qualidade ou uma função. Como somos levados a duvidar das coisas que estão acima de nossa inteligência e como não podemos fazer a menor ideia da bondade de Maria, ela recorre a títulos que nos tornem de alguma sorte palpável o seu poder e a sua ternura para conosco.
Daí os seus diversos títulos, tais como: Mãe de misericórdia, Refúgio dos pecadores, Socorro dos cristãos, os quais claramente indicam as funções que ela exerce a nosso respeito, ou outros que patenteiam a natureza dos socorros que nos quer conceder: Estrela do Mar, Saúde dos doentes, Consoladora dos aflitos, Maria, tomando títulos correspondentes à maior parte das penas da vida humna, quer sejam eles autênticos, e não possam ser contestados ou julgados vãos. Nisto procede do mesmo modo que uma pessoa sensata, não fazendo promessa que não possa cumprir, ou possa ser desementida. Assim, a Virgem quer que cada um de seus títulos tenha toda a significação, e que, portanto, em nossas grandes mágoas, saibamos não ser vã a invocação da "Consoladora dos aflitos".
Entre todos esses títulos, nenhum há que nos possa inspirar maior confiança do que o de Perpétuo Socorro dos cristãos, pelo qual Maria se obriga a nos conceder uma contínua assistência, a nunca demorar o seu socorro. Com efeito, se uma única vez ela recusasse ou adiasse o momento de nos socorrer, este não seria perpétuo. É preciso que o conceda desde que o reclamemos, mesmo quando  não o mereçamos e apesar de nossas resistências e de nossas faltas. Nenhuma virtude é necessária para ser socorrido por Maria: é unicamente preciso  orar com fé e confiança. Mas, direis, tantas e tantas vezes tenho implorado o socorro de Maria, principalmente em tal aflição, em tal dificuldade e ela não me concedeu o que lhe pedi. É certo que Maria deseja a salvação de todos, coopera na salvação de todos, na vossa particularmente e com toda a solicitude.
Maria, porém, que quer ouvir a vossa prece, não se obriga a conceder o que pedis, mas, o que é necessário, segundo o conhecimento que tem de vossas necessidades atuais. Concede-vos o que julga vos ser mais útil. Ela vos dá melhores bens do que os que solicitais. Se ouvisse tão somente o vosso pedido, mereceria a censura, a que se sujeitaria uma mãe, mais fraca do que prudente, concedendo a seu filho voluntarioso coisas sabidas prejudiciais. Um ilustre doutor da Igreja, Santo Afonso de Ligório, respondendo à vossa objeção, aconselha aos servos de Maria a lhe pedirem as graças que ela por eles roga ao Senhor; " porque,  diz ele, nossa augusta Mãe deseja para nós bens maiores do que os que podemos desejar, bens que mais diretamente nos levarão ao céu". Maria, durante longos séculos, provou por inumeráveis milagres merecer o título de nosso perpétuo socorro. Mostra anda hoje querer conservá-lo, dando à Igreja o quadro miraculoso, garantia da devoção e confiança de seus filhos. Ela proclama assim o seu perpétuo socorro, que é a nossa perpétua esperança. Maria, tão boa para com os ingratos e os pecadores, será ainda mais terna para os que a amam e a invocam frequentemente. Não deixemos, pois, passar um só dia sem lhe expor as nossas necessidades, os nossos desejos, sem deixar de lhe pedir o seu socorro.
Assim teremos a certeza de receber a graça que nos tornará mais agradáveis a Deus, a que melhor nos disporá para nossa salvação.

Oração
Ó Maria, manifestando-vos como nosso perpétuo socorro, quisestes que nem um instante temêssemos a privação de vossos benefícios. Agradeço-vos terdes tomado um título tão próprio para inspirar-nos invencível confiança. Espero, pois, minha salvação, conto, pois com o vosso perpétuo socorro, e com a graça de poder sempre implorá-lo. Ó minha mãe tão terna Mãe, nunca duvidarei de vossa inesgotável bondade; só temo não vos testemunhar uma confiança digna de vossa ternura. Ofereço, por intermédio de vosso coração, esta novena ao Coração de Jesus, e vos suplico de substituirdes minha oração, se porventura a minha intenção não vos parece digna de ser ouvida. Concedei-me o que julgardes mais útil às minhas necessidades e à salvação das almas que vos recomendo. Fazei-me preferir para mim e para os outros favores imperecíveis, que me tornem digno de uma recompensa eterna.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)

Exemplo
Um nobre polaco, o conde S., foi preso, por ter tomado armas contra a Rússia, e condenado à morte. Sua esposa, recebendo esta notícias, dirige-se à sua capela, levando seu filho, de 10 anos de idade, e, prostrando-se ante a imagem da Virgem do Socorro lhe diz: " Santa Virgem Maria, orai por nós, protegei-nos, salvai-nos, dai-me o meu marido, dai a meu filho o seu pai; tende piedade de nossas lágrimas, vós a quem nunca ninguém invocou em vão, vós que tanto amais vosso divino Filho, e que tanto sofrestes!" Cheia de confiança na Virgem, acalmou-se. E refletindo, parte para a prisão acompanhada de alguns de seus servos e de seu filho. Com o auxílio de algumas moedas de ouro, penetra no cubículo onde estava encerrado seu esposo, donde sai, algum tempo depois, conduzindo pela mão o seu filho.
Só à tarde foi feita a inspeção da prisão. No cubículo do condenado à morte foi encontrada a condessa vestida com a roupa de seu marido. O conde, aproveitando o dia, alcançara a fronteira e dirigiu-se para Paris. Passou-se um ano sem que o conde soubesse  do destino de sua corajosa esposa. O menino colocado em um bom colégio católico, crescia em instrução, piedade e bons sentimentos. Aproximando-se a época de sua primeira comunhão, o menino preocupado com a ideia de que a sua mãe a assistisse, escreveu uma carta ao criado de confiança que havia permanecido em Varsóvia: " Pedro, diz à mamãe que vou fazer a minha primeira comunhão, e que é absolutamente preciso que nesse dia ela se ache em Paris para assistir a ela. Não lhe escrevo porque detêm todas as nossas cartas, mas, emprega todos os esforços para transmitir-lhe meu pedido." Dentro da carta, o menino meteu uma imagem da Santa Virgem. Estanislau, assim era o nome do menino, nada disse a seu pai, mas, confiava em absoluto na Santa Virgem, pedindo continuamente à  Mãe poderosa a presença de sua mãe. Na véspera da comunhão, o menino disse a seu pai, quando este lhe comunicou que também comungaria: "Espero também que mamãe não faltará!" -Ah! Exclamou o conde... e calou-se. Sabia ser impossível a realização do desejo de seu filho.
Às 5 horas da tarde, Estanislau dirigia-se para portaria, quando, encontrando um dos professores, este lhe perguntou:
-Aonde ides, meu filho?
- Vou ver se alguém me procurou.
- Mas, vosso pai já veio esta manhã.
- Eu espero também mamãe, que virá, estou certo.
- Tende paciência, a hora das visitas está passada; nada de distrações; ide para o lugar onde estão vossos condiscípulos.
"Não faz mal, pensou o menino, obedecendo; mamãe, se chegar, manda chamar-me".
Oito horas da noite... e ninguém. É servido o chá e iam subir para o dormitório.
Estanislau, confiando em Maria, para quem nada é impossível, esperava sempre.
Foi então que uma senhora, com as vestes em desalinho, entrava na portaria e pedia para ver o menino Estanislau. O porteiro recusa, a condessa, (era ela), aproximou-se da grade, e Estanislau, que não cessava de olhar para aí, deu um grito: " Eis aí a mamãe!"- e caiu sem sentidos.
O que havia acontecido? A condessa conseguira fugir das garras dos agentes que a levavam para a Sibéria. Apesar de imensas dificuldades, por falta de recursos, pôde chegar a Paris. Para onde dirigir-se nessa vasta cidade? Felizmente, Estanislau, em sua carta a Pedro, o criado de confiança, havia dado o endereço de seu colégio.
No dia seguinte, o conde e a condessa, alegres, entusiasmados, recebiam, unidos ao seu filho, o pão dos anjos, a hóstia imaculada, e depois, prostrados diante do altar da Virgem, não podiam conter as lágrimas de reconhecimento por tão grandes socorros. Maria nunca desampara aos que nela confiam firmemente.

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