sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sétimo Dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Como obter o perpétuo socorro de Maria
 
A devoção a Maria é o meio mais seguro de alcançar grandes graças e os cristãos não cessam nunca de testemunhar-lhe seu amo por brilhantes manifestações de confiança em sua bondade. É a confiança o caráter especial da devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; porque o meio decisivo de obter uma graça é esperá-la sempre. Logo, é preciso sem cessar afirmar a nossa piedade filial por Maria.
Esta necessidade de a honrar é tão profunda nos corações católicos, que o venerável P. de Montfort não hesitou em proferir esatas memoráveis palavras: " Virá um tempo em que a devoção a Maria será tão grande que a face da terra será transformada!"
Tem razão este grande servo da Santíssima Virgem. Recorramos sem cessar e por todas as necessidades a Maria imaculada, supliquemos com fervor a sua intercessão. A confiança é o ponto mais sensível e o mais delicado do coração maternal.
Tem tanto mais zelo em inspirá-la, quanto revela maior amor, maior generosidade.
Maria, devemos afirmar, faz de nossa confiança a medida de seu amor, de sua ternura, de seus dons. Quanto maior for a nossa confiança, maiores serão os seus favores, as suas graças. Nunca há excesso de confiança para com Maria, como não pode exceder os limites de seus louvores.
Portanto, para assegurar-nos o seu perpétuo socorro, só há uma expresssa condição: a confiança. Se quisermos sempre lhe expor com confiança os nossos pedidos, sempre ela nos ouvirá. Esta condição, tão fácil de satisfazer, é que faz sobressair, com inexcedível brilho, a bondade da Santíssima Virgem. Porque, se para obter o seu socorro, tivéssemos necessidade de praticar grandes virtudes, quantos pecadores desanimariam, quantas almas pusilânimes deixariam de a invocar. Não temo ser desmentido, afirmando reservar Maria seus mais especiais favores aos que nela tem uma confiança inabalável, aos que não tem hesitações quando a ela recorrem, e que em todas as circunstâncias lançam-se  a seus pés, implorando seu socorro. Há na vida momentos terríveis de atravessar: somos esmagados pelo peso da dor, ou tememos pelos que amamos. Quanto mais angustioso é o perigo, tanto mais urgente é a necessidade, tanto mais Maria se mostra solícita em socorrer-nos. Ela sofreu tanto e seu coração compreende a profundeza de nossos sofrimentos, a iminência do perigo que nos ameaça. Ela, porém quer também que lutemos contra o perigo; as nossas armas então são: a oração e a confiança. Recorramos a Maria; ela nos dará, no momento preciso, a graça necessária. Recorramos a ela, antes que nos traia a nossa fraqueza, e repitamo-lhes muitas vezes: Tomai conta de nossa salvação, ó Maria; antes morrer, do que pecar mortalmente.
 
Oração
Ó Maria! Não sei como obter o vosso perpétuo socorro, senão recorrendo ao vosso coração, confiando em vossa bondade, suplico-vos intercedais por mim, particularmente durante esta novena. Conheceis, Mãe querida, a grande necessidade que tenho do vosso socorro. Espero, com toda confiança, que me alcançareis todas as graças que vos imploro, ou melhores, mais conformes com a vontade divina. Fazei-me amar a vontade do Senhor, adorável regra de todas as coisas, de todos os acontecimentos, e não permitais que formule uma oração ou simples desejo contrário à vontade de Deus. Pesa-me imensamente, por ignorância ou malícia, ter esquecido deste dever.
Concedei-me, Maria, a graça de unir tão intimamente meus pensamentos e meus desejos aos vossos, de forma a sempre receber o vosso perpétuo socorro.
(Rezam-se 9 Ave- Marias)
 
Exemplo
Um mancebo piedoso cursava seus estudos em um seminário de Sabóia, quando, arrastado por maus conselhos de um parente, e apesar das súplicas de seus paiss e de seus mestres, abandonou os estudos, e dirigiu-se para Paris. Aí obteve brilhante posição e durante alguns anos gozou de todos os prazeres, facilitados pela sua posição e dinheiro. Os maus amigos o conduziram até as mais baixas devassidões e, perdendo o lugar que ocupava, viu-se na maior miséria. Sem religião para levantar e sustentar o seu espírito, pois de toda educação religiosa só conservava o hábito de recitar quase maquinalmente, todas as tardes, a oração
- Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido a vossa proteção, implorando o vosso auxílio, e reclamando o vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado, pois, com igual confiança, ó Virgem das virgens, como à Mãe recorro e de vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus, mas dignai-vos ouvi-las propícia e me alcançar o que vos rogo. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.
Resolveu, eu seu desespero acabar com a vida, suicidando-se. Dirigiu-se  para um lugar afastado do canal de Saint Martin, escolhido propositadamente para evitar estorvos. Antes, porém, de executar o seu desígnio, por uma dessas contradições incompreensíveis, ajoelhou-se e recitou sua única prece: Lembrai-vos...
Ao levantar-se, e fitando o canal, pareceu-lhe ver, sob esse lençol de água, um abismo de fogo.
Aterrorizado, fugiu através da cidade, penetrando em uma igreja que se lhe apresentou em frente. O templo estava apinhado de fiéis e o altar da Virgem brilhando de luzes e flores. Era a Igreja de Nossa Senhora das Vitórias.
Daí a pouco, um padre, o padre Desgenettes, entra em seu confessionário. O mancebo cai-lhe aos pés e conta a sua história.
"Vou completá-la, diz-lhe o vigário de Nossa Senhora das Vitórias, ao calar-se o penitente. Não há muito tempo, um senhor bispo de Sabóia, pregando nesta igreja, pediu aos fiéis orassem por um moço seminarista, de quem ele fora professor, e a quem muito amava, e que, abandonando o seminário, se transviara em Paris".
O jovem saboiano, lavado em lágriams, confessou com sinceridade seus pecados, fazendo no dia seguinte uma piedosíssima comunhão no altar da Virgem Mãe das misericórdias.
Voltou para Sabóia, como o filho pródigo, pedindo perdão a seus pais e, reparando o escândalo dado, entrou para uma ordem religiosa. Bendita seja Maria, que não abandona nunca os que nela confiam, mesmo quando grandes pecadores. Não cessemos de recorrer ao coração sem igual desta Mãe, que só espera nossas súplicas para atendê-las.

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