sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sexto dia

V. Vinde, Senhor, em meu auxílio.

R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos e séculos. Amém!

MEDITAÇÃO
Duvidar do pérpetuo socorro de Maria é ferir seu Coração maternal
Maria tomao para si o título de "Nosso Perpétuo Socorro", para obrigar-nos a buscá-la com confiança, mesmo nas coisas julgadas impossíveis. Tendo direito a este título, ela o tem também à nossa ilimitada confiança. Em que basear-se uma desconfiança qualquer? Em nossas culpas? Mas, porventura somos mais culpados do que, o ladrão assassino, que insultava Jesus crucificado? No entanto, segundo o sentir dos Santos Padres, foi a oração de Maria que obteve a conversão desse grande culpado.
Precisamente porque sois pecador e, talvez há muito tempo tendes necessidade de Maria: sem seu socorro não saireis de vosso desgraçado estado.
Mas, se lhe pedirdes com confiança, sereis certamente atendido. "Quando um pecador se dirige a mim, dizia Maria a uma santa, não considero nem o número e grandeza de seus pecados, só escuto a oração que até mim sobe de seu coração". O pecador é um filho morto que ela tem o poder de ressuscitar, um filho doente que ela quer curar. Porventura uma mãe que visse um seu filho doente, dele desviaria o seu olhar, recusaria prestar-lhe auxílio e chamaria mercenários para tratá-lo? Maria sofre, pois, em seu coração de Mãe, quando em nossas necessidades, em nossas dores, em nossas dificuldades tememos ou demoramos em recorrer ao seu socorro. Ah! Ela sabe muito bem que o mundo não nos pode dar a pureza da consciência e a alegria do coração.
Temeis ir a Maria por terdes recaído em vossas faltas: ignorais ser ela a depositária do sangue de Jesus Cristo, que pode apagar até as vossas menores máculas? Sejam quais forem os vossos pecados, é sempre possível receber o perdão; mas, este perdão não é dado sem o pedirmos a Maria. Temeis pedir, porque muito já vos foi concedido? Não sabeis que ela dispõe dos tesouros inesgotáveis da divina Providência? Pelo contrário; Maria alegra-se com as nossas importunações,  que põem em evidência não só o seu poder, como a sua caridade. Vinde sempre, sempre e sereis sempre acolhido com benignidade.
Se, após vossas faltas ou em vossas orações, temeis recorrer a Maria, a quem recorrereis? Tendes necessidade de socorro, quem vo-lo pode dar, senão Maria? Não a vistes no Calvário e depois da morte de Jesus Cristo? O que temeis pois? Que provas maiores quereis, para animar a vossa confiança? Se Jesus Cristo deu sua vida por nós, Maria nos deu a vida de seu filho.
Custa menos a uma mãe entregar-se à morte, do que sacrificar a vida de seu filho bem amado. No entanto, Maria sacrificou a vida de seu Filho único, para mostrar-vos que nunca, nunca deveis duvidar de querer ela a vossa salvação. Ela tem direito à vossa confiança, conquistou-a a custo de suas lágrimas, de incríveis dores, e por seu consentimento ao sacrifício da cruz. Não podeis, sem ferir o seu coração, duvidar de sua liberalidade, de sua ternura, sabendo, principalmente que nunca a maior ingratidão enfraqueceu a sua dedicação pelos nossos interesses. Vinde, pois, lançar-vos a seus pés, abri-lhe vosso coração, confiai-lhe vossas tristezas, vossos desgostos, vossas fraquezas; depositai todas as vossas dores no Coração maternal de Maria. Por todos os seus sofrimentos ela mostrou ser verdadeiramente nossa Mãe.
Por que duvidar de uma mãe que tudo sacrifica por nos amar muito?

Oração
Ó Maria, não vos farei a injúria de duvidar de vosso perpétuo socorro, pois me é impossível deixar de vos amar. Creio na perserverança de seu amor filial por vós e portanto não posso duvidar da perserverança de vossa ternura maternal. Nela confio, principalmente durante esta novena, apesar de minhas faltas, de minhas recaídas e, devodizê-lo, apesar de minha ingratidão. Ó Maria, preservai-me de vos ser ingrato. Preferia morrer, a deixar de vos ser reconhecido. Antes a morte,  a cessar de amar-vos.
Ó Maria, minhas resoluções são um fraco embaraço à minha covardia, à minha inconstância, mas eu vos suplico: tomai-me como eu sou, fazei de mim uma propriedade vossa, se eu quiser fugir às vossas mãos e, sustentado por vosso pérpetuo socorro, espero chegar à eterna felicidade.
(Rezam-se 9 Ave-Marias)

Exemplo
Em um colégio, dirigido por sacerdotes, cursava as aulas um aluno de 18 anos, Carlos...Havia alguns anos, este moço, bom estudante, no entanto, vivia afastado de seus companheiros, triste, tendo um gênio irritado e quase feroz.
Por ocasião de uma festa de Nossa Senhora, houve comunhão geral e nenhum aluno faltou à sagrada mesa. Pela tarde, quando no recreio e alegres todos falavam da bela festa realizada, Carlos... foi chamado para falar com o superior. Ao entrar no quarto, este disse-lhe de improviso:
_ O que tens, Carloss, que estás sempre triste?
_ Sofro horrorosamente, padre superior.
_ Estás doente? Alguma pessoa de tua família não está bem?
_ Ah! Antes assim fosse. Há três anos cometi um pecado muito grave; fui confessar-me, tive vergonha e não o revelei ao padre. Para não fazer exceção, comunguei sacrilegamente e há três anos, apesar de minhas resoluções nos retiros, não confesso o pecado e continuo a comungar sacrilegamente. Sou um verdadeiro demônio: tudo me irrita, não suporto os meus companheiros, estou continuamente à espera do castigo de Deus, para ser lançado no inferno. Ainda hoje, quando fui comungar, parecia-me sentir fogo em meu peito e julgava ter chegado o momento de meu castigo.
- Tenha coragem, meu filho, Nossa Senhora, o salvará.
- Ah! Eu o espero, respondeu Carlos, porque a única coisa boa que eu faço é rezar todos os dias a seguinte oração: Ó minha Soberana, minha Mãe, ofereço-me inteiramente a vós, e para dar-vos uma prova de minha dedicação, vos consagro hoje meus, meus ouvidos, minha boca, meu coração, meus pensamentos, tudo quanto  eu sou e possuo. E como vos pertenço, minha boa Mãe, guardai-me, defendei-me como um bem, uma propriedade vossa.
- Pois bem, meu filho, Nossa Senhora é o refúgio dos pecadores; quem nela confia não será condenado. E o superior o conduziu brandamente à capela particular do colégio e aí, ajoelhados perante o Altar da Virgem Santíssima, rezaram juntos uma Ave- Maria. Ao terminarem, Carlos chorava em soluços. No dia seguinte, um padre desconhecido no colégio ouvia o jovem estudante em confissão e uma comunhão fervorosíssima sanava tantas feitas sacrilegamente. O moço, estudante continuou alegremente seus estudos, foi um modelo de piedade para seus companheiros e hoje é um sacerdote cheio de fé e ardente zelo pela salvação das almas. O seu amor por Maria, a quem deve sua salvação, não tem limites.

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